Meu cupido não acerta uma

Eu não tenho namorado, não sou casada, nunca casei e não vivo como se estivesse a procura de um grande amor e, verdade seja dita, até torço para que ele demore mais um pouquinho a chegar. É bom ser livre. Desimpedida. Dona de minhas próprias vontades. É bom ir aonde quero, a hora em que bem entendo e, horas depois, mudar todos os planos. Ler. Viajar. Ir ao cinema. Teatro. Bar. Restaurante. Dançar forró. Ir em rave. Micareta. Choppada, mesmo já tendo terminado a faculdade há tempos. É bom não ter que ceder.

O único inconveniente de estar solteira é que isso incomoda a muita gente. Namoradas (ciumentas) dos amigos se incomodam. Os vizinhos se incomodam. A família se incomoda. Não venham dizer que é exagero, tem sempre uma tia preocupada e um vizinho indiscreto perguntando: “e o namorado?”. Os amigos (comprometidos) se incomodam e esses criam grandes embaraços querendo servir de cupidos.

Sente o drama. Sábado à noite resolvo ir ao bar com duas amigas e, ao chegar, me dou conta de que elas haviam marcado com uns amigos. Três amigos para ser mais exata. Cada uma ficava com um, certo? Certo e errado. Eu não tinha combinado nada com ninguém, nem mesmo com aquele pirralho bonito, sarado e simpático. Caí fora. Fui encontrar minha amiga de infância, com o namorado e outro casal, em outro bar. Desconfio que não tenha sido uma boa idéia: ” Id, que bom que você chegou! Acabamos de falar de você”.

Antes que eu perguntasse, ela emendou: “Olha para a mesa ao lado. Está vendo? É um amigo nosso, muito gente boa e solteiro. Falamos que temos uma amiga para apresentar. Olha, Id, ele é bonito, simpático, advogado, eu sei que você gosta de advogado, mais velho, responsável e gosta de micareta.”

Eu não estava acreditando naquilo até que ela chamou o cara para a mesa, me apresentou e quando fui ao banheiro, foi junto para dizer que o cara tinha se interessado por mim. Já era tarde, voltei para mesa, me despedi e fui embora. Mas a história começa é agora.

Na semana seguinte a amiga-cupido tinha uma festa de aniversário para ir com o namorado e fui eu, com mais uns amigos, fazer companhia. Hiper festa. Muita gente. Barman. DJ’s. E tudo o que se tem direito. Lá pelas tantas quem chega? O tal cara da mesa de bar! E a cara de pau ainda tem audácia de falar: “Ele só veio por sua causa. A gente disse que você estaria aqui!”.

Paciência. A esta altura do campeonato eu já estava trocando olhares com um moreno lindo, para quem ninguém tinha falado de mim, claro. Fui para pista de dança e o moreno foi atrás. Puxou assunto. Pegou bebida. E nem sei como foi, logo estávamos aos beijos. O outro viu. Virou as costas e foi embora. Agora vê se tem cabimento: EU marquei com alguém por acaso?????

Idiotilde

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Giseli Rodrigues

Mãe do Lucas. Escritora. Professora. Revisora. Especialista em Letras, Recursos Humanos e Gestão Empresarial. Estudante de Psicologia. Chocólatra. Flamenguista. Pintora nas horas vagas. Bem-humorada. Feliz.

3 ComentáriosDeixe um comentário

  • Que ótimoooooo!! Tb DETESTO que me “arrumem” alguém, deixa eu me virar sozinha, rsss, o quê q tem estar solteira, livre e desimpedida?!

  • Tb não gosto q me arrumem alguem, mas pelo q vc contou da tal festa vc naum gosta de muito compromisso…se eu tb estivesse afim de vc, mesmo q soh por te ver noutro dia e terem falado de vc, e te visse aos beijos com um cara q vc acabou de conhecer, iria embora na hora tb…parece machismo…mas vc imaginou o primeiro pensamento q passou an cabeça daquele cara neh:..q vagaba!!…mas eh claro q ele naum te conhecia e nem sua filosofia de vida…realmente os casais certinhos e casados parecem incomodados de te verem solteiro e livre na vida…

  • Pois uma vez duas amigas (eu disse “amigas”?) me arrumaram um cara e fizeram de tudo pra pintar um clima.
    Até aquelas rosinhas que são vendidas em barzinho ele comprou pra mim, na frente de todo mundo. Eu adoro flores, mas naquele contexto foi francamente constrangedor.
    Fiz cara de papel-sulfite e fui contornando a situação até chegar em casa.

    Pois bem: no dia seguinte vieram as duas me dar esporro porque eu não tinha ficado com o cidadão.
    P O D E ?
    (Depois eu fiquei sabendo que o namorado de uma delas deu uma chamada na menina. Disse que ela não precisava ter me colocado naquela situação ridícula).

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